Fausto Arruda
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A invasão de Mosul, no Iraque, os atentados do Estado Islâmico em Barcelona e
em outras capitais europeias, os novos reforços na agressão ao Afeganistão, os
duros golpes da Resistência nacional ao invasor imperialista, o rebrotar das
questões raciais no USA, as ameaças à Coreia e à Venezuela por parte do
parlapatão Trump e a militarização e terror policial nas invasões das favelas
no Rio de Janeiro: tudo isso é demonstração de que no mundo e no Brasil, o
agravamento sem precedentes de suas contradições e de sua natureza antagônica
só podem ser enfrentadas e resolvidas pela violência, por meio das armas. Entre
os interesses dos imperialistas e seus lacaios, por um lado, e das massas
populares e nações oprimidas, por outro, estes são fatos que evidenciam o grau
avançado de decomposição que atingiu o imperialismo, correspondente a uma
situação revolucionária em desenvolvimento desigual, porém incessante em todo o
mundo, frente à qual o imperialismo procura contrarrestar através de sua guerra
de rapina por nova partilha, com a reacionarização do Estado de modo geral,
apontando ao fascismo em particular como tendência.

O mundo está em guerra porque o imperialismo é a guerra: a guerra de
partilha e repartilha entre superpotências e potências, guerras de rapina
contra os países oprimidos. São guerras de dominação e de opressão para
exploração dos povos e nações oprimidas. São guerras injustas.
Contudo, a guerra imperialista não existe sem sua contraposição: as guerras
justas. São guerras dos povos pela libertação de suas nações invadidas, e
guerras populares pelo estabelecimento do Poder do proletariado e das massas
populares.
Para o imperialismo não há possibilidades de manter seu domínio sem guerras
e as guerras precipitarão sua ruína.
Hoje, a superpotência hegemônica única, o USA, em busca de assegurar seu
domínio mundial e conjurar sua bancarrota, necessita pôr de joelhos a Rússia,
seu principal contendente, porque esta segue sendo superpotência atômica,
apesar de toda sua debilidade econômica de país exportador de matérias-primas,
principalmente petróleo. E tal pugna se dá principalmente pelo domínio do
chamado Oriente Médio Ampliado, através da partilha de países (Iraque, Síria
etc.) para colonizar e/ou deter esferas de influência no controle total das
maiores fontes de petróleo e posicionamento militar geoestratégico da passagem
Europa-Ásia.
O imperialismo é exploração
O capitalismo em sua fase parasitária e em decomposição, portanto
agonizante, não tem mais nada a oferecer à humanidade. Desde o início de sua
derradeira etapa, o imperialismo, o capitalismo entrou inevitável e
inexoravelmente numa escalada reacionária e de violência em toda linha,
manifestação da lei de seu desenvolvimento. O capitalismo desenvolveu-se em
meio à crises cíclicas, em intervalos cada vez menores, e com a passagem à fase
monopolista entrou na sua crise geral de decomposição, que hoje acha-se
formidavelmente agravada. Momento este em que será varrido da face da Terra
pela Revolução Proletária Mundial.
A luta entre o velho e o novo expressa-se como o fim da revolução
burguesa mundial e início da Revolução Proletária Mundial
O imperialismo é a época em que o mundo ficou dividido entre um punhado de
nações adiantadas opressoras e possuidoras de colônias e semicolônias, por um
lado, e da imensa maioria de nações atrasadas oprimidas pelas primeiras
(colônias e semicolônias), por outro. Como forma de sua expansão, manifestação
da sua própria natureza e, através da exportação de capital e da política
colonial, o imperialismo engendrou nessas colônias e semicolônias um tipo de
capitalismo apoiado na semifeudalidade. Essa era a condição para enfrentar a
competição entre as potências, pois teria mais facilidade para estabelecer uma
plataforma de exploração através do domínio das fontes de matérias-primas, da
exploração da força de trabalho e do mercado cativo para as mercadorias de suas
corporações. As remessas de lucro passaram a ser a seiva com a qual o
imperialismo se nutre ao custo do aumento da miséria nas populações dos países
oprimidos.
Através da migração campo-cidade, pela expulsão de camponeses de suas terras
pelo latifúndio, formaram-se megacidades como São Paulo e Cidade do México,
onde ilhas de “prosperidade” com grandes aeroportos, belos edifícios, parques
industriais, dominados por transnacionais e pela grande burguesia local
(frações burocrática e compradora) convivem com as vilas operárias e um mar de
miséria das favelas surgidas nos morros e bairros suburbanos, como residência
do proletariado e do exército industrial de reserva.
Exploração e resistência
O engendro do capitalismo burocrático nas colônias e semicolônias teve que
pagar o preço de ver surgir nelas um proletariado que, por ser parte de um
capitalismo atrasado, é vítima da superexploração de sua força de trabalho,
fonte do surgimento de um movimento de resistência ao capital, através da
criação de sindicatos e movimentos grevistas.
Passo mais avançado foi dado após a Revolução Russa e a constituição da
Internacional Comunista, dando início à Era da Revolução Proletária Mundial,
com a criação de Partidos Comunistas que por se inserirem em colônias e
semicolônias, foram chamados a liderar o campesinato para a realização da
Revolução Democrática nas semicolônias e de Libertação Nacional nas colônias,
ambas tendo como programa a Revolução Democrática, Agrária antifeudal e
Anti-imperialista. São revoluções de Nova Democracia, pois estão sob a direção
do proletariado e apoiadas na Frente Única Revolucionária, cuja base é a
Aliança Operário-Camponesa e de sua passagem de modo ininterrupto à revolução
socialista.
Três contradições
A época do capitalismo agonizante, do imperialismo, é a época da revolução
proletária. Neste contexto, a luta entre o velho e o novo expressa-se como o
fim da revolução burguesa mundial e início da Revolução Proletária Mundial.
Para continuar existindo, a velha ordem necessita praticar as maiores
barbaridades contra os povos e nações oprimidas para mantê-los subjugados em
meio das pugnas e conluios pela partilha e repartilha do mundo entre
superpotências e potências imperialistas.
O capitalismo em sua fase parasitária e em decomposição, portanto
agonizante, não tem mais nada a oferecer à humanidade
Para afirmar-se como o novo, a revolução proletária tem que dar conta de
resolver a principal contradição da época: nação
versus imperialismo,
como revolução democrática de novo tipo; e com revolução socialista resolver a
contradição entre proletariado e burguesia. Deve, em meio a isso, brigar para
conjurar a guerra mundial imperialista, surgida da contradição
interimperialista pela partilha do mundo, por meio da guerra popular mundial;
resolver em escala mundial a contradição fundamental do capitalismo, entre a
produção social e sua apropriação privada, avançando para o luminoso Comunismo.
A Teoria Militar do Proletariado
A ciência do marxismo em seu desenvolvimento possibilitou ao proletariado o
ensinamento de como as massas, com organização e disciplina, poderão vencer as
classes dominantes, mesmo que elas disponham de um poderoso exército em sua
defesa.
Ao afirmar que a “violência é a parteira da História”, Marx inicia a
formulação da Teoria Militar do Proletariado, que ganhará corpo com Engels ao
abordar o papel da violência na história e ao destacar o papel do exército como
coluna vertebral do Estado.
Foi com base nos ensinamentos de Marx e Engels que Lenin impulsionou a
Teoria Militar do Proletariado, ao defender o armamento da classe operária nas
fábricas e, em aliança com o campesinato armado, afiançar a aliança
operário-camponesa para a tomada do poder político. Com a formação do Exército
Vermelho de operários e camponeses foi possível derrotar o exército branco das
classes dominantes de grandes burgueses e latifundiários, apoiados pelos
imperialistas.
O Presidente Mao Tsetung, estudando a realidade da China à luz do
marxismo-leninismo, deu valiosíssima contribuição ao colocar em evidência o
caráter semifeudal e semicolonial da sociedade chinesa, na qual o imperialismo
engendrara um capitalismo burocrático, como um capitalismo atrasado e apoiado
na semifeudalidade. Em dura luta de duas linhas dentro do Partido Comunista da
China, ele aponta o papel revolucionário do campesinato como força principal na
Revolução Democrática, estabelece a concepção da guerra popular, desenvolvendo
o caminho de cercar a cidade desde o campo, destacando a importância
estratégica da guerra de guerrilha, portanto, sua aplicação do começo ao fim,
da construção concêntrica do Partido, do Exército e da Frente Única, destacando
o papel dirigente do Partido, sintetizando em: “O poder nasce do fuzil e o
partido manda no fuzil”. Estas formulações deram conteúdo à formação da
estratégia da Guerra Popular Prolongada, com “o imperialismo é um gigante com
os pés de barro” e “ o “imperialismo e todos reacionários são tigres de papel”.
A vitória da contrarrevolução na União Soviética, em 1956, e na China, em
1976, com a restauração do capitalismo naqueles países, não fez cessar o
processo revolucionário que desatou-se na América Latina, com uma nova onda
revolucionária conduzida pelo Presidente Gonzalo, como chefatura do Partido
Comunista do Peru, dando início à guerra popular naquele país. Sintetizando o
maoísmo, elevou-o à terceira, nova e superior etapa do marxismo. O Presidente
Gonzalo desenvolveu e legou importantes aportes à Teoria Militar do
Proletariado como o Partido militarizado, luta de duas linhas na forja do
partido e Guerra Popular até o Comunismo.