LCP se pronuncia sobre execução de dirigente e declara: ‘O castigo ao latifúndio e seus sequazes pode vir como um raio!’
A Comissão Nacional das Ligas dos Camponeses Pobres (LCP) emitiu pronunciamento neste 31 de janeiro, no qual condenou a execução sumária do dirigente camponês, Adeildo Gonçalves Calheiro (companheiro “Flecha”), e a tentativa de liquidar com a luta camponesa na Amazônia Ocidental.
Contrariando a versão policial, segundo a qual o dirigente camponês teria tentado fugir, a LCP denunciou uma demora de oito horas entre o ocorrido e a divulgação para o público, o que, segundo os camponeses, serviu para “alinhavar” uma estória que justificasse o fuzilamento. O movimento alega que o comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) utilizou viaturas descaracterizadas e que a execução foi planejada. Na nota, a LCP denuncia que os militares gritaram a “Flecha”: “desta vez você não escapa”, em referência a tentativas anteriores de captura.
O movimento destaca que, para as forças reacionárias, o crime se justificava porque consideravam “que eliminado o companheiro Flecha a luta pela terra na região de Machadinho D’Oeste, em Rondônia, bem como a Liga dos Camponeses Pobres, LCP, ficariam enfraquecidas”. Mas, dispara a LCP: “Sonho de hienas! Enganam-se canalhas, assassinos de pobres! O Companheiro Flecha segue vivo em nossa luta invencível, ele como todos nossos heróis e nossas heroínas vivem na gloriosa Bandeira Vermelha da Liga dos Camponeses Pobres de todo o Brasil! Honra e Glória eternas ao Companheiro Flecha! Morte ao latifúndio! Viva a Revolução Agrária!”.
No pronunciamento, os camponeses relacionam a execução brutal do dirigente Adeildo com a Operação “Godos” do Ministério Público de Rondônia (MP-RO) que tem imposto toda sorte de repressão contra as famílias camponesas de Rondônia. Para o movimento, “tudo isso indica a gravidade com que o latifúndio e o velho Estado brasileiro e seus gerentes encaram como decisivo neste momento: acabar com a luta pela terra e com a LCP, de forma a conjurar a crescente Revolução Agrária”.
Além disso, segundo a LCP, a execução de “Flecha” teria sido realizada pelo BOPE de Rondônia e não do Mato Grosso. “A suposta participação do BOPE de Mato Grosso neste crime é para dar cobertura jurídica ao criminoso comando da PM de Rondônia”. Destaca ainda que os agentes do BOPE “são comandos especiais de caráter policial-militar no Brasil especializados em matar pobres e pretos. Ademais de servirem de capangas do latifúndio nas regiões rurais do País e de aplicar a política de controle social através das sistemáticas chacinas nas favelas e bairros pobres das grandes cidades, estão encarregados de aplicar operações encobertas de contra insurgência sobre os movimentos revolucionários em todo o País”.
Sobre as acusações formais que atribuem ao dirigente camponês Adeildo, a LCP declara que as “vítimas seriam guaxebas”, isto é, paramilitares, “que foram repelidos pela autodefesa camponesa”.
Quem foi Adeildo Gonçalves, o companheiro Flecha
O pronunciamento da LCP destaca que Adeildo “era sim, com muito orgulho, dirigente da Liga dos Camponeses Pobres”.
“O companheiro Flecha, ainda criança, perdeu o pai, pequeno camponês, assassinado em disputa de terras. Vingou-se quando jovem entrando para o movimento. No começo, lutando pela própria terra. Logo, atuando na luta pela Revolução Agrária, em diversas áreas conquistadas pelas massas camponesas: Lamarca I e Lamarca II, Gonçalo I e Gonçalo II, Raio do Sol, Canaã, Renato Nathan 2 e, antes de dirigir a luta na Área Valdiro Chagas, devotou todos os seus esforços na luta vitoriosa para tomar o que restava do latifúndio Santa Elina. Era estudioso, conhecia a história das lutas de nosso povo e dos operários e camponeses em todo o mundo. Ele honrou nosso sagrado juramento. O companheiro Flecha deixou muitos seguidores. Nós vamos vencer! Não importa que tempo dure! Todos os reacionários, imperialistas, as classes de grandes burgueses e latifundiários, exploradores, opressores e seus cupinchas e capangas fardados e civis irão para o lixo da história!”, dispara o movimento.
“Que em todas as áreas, que nas Universidades e lutas dos operários, nas lutas reivindicativas de nosso povo pobre, nas lutas democráticas e nas lutas anti-imperialistas, o nome de nosso querido companheiro Flecha seja levantado”, declara.
“Quanto ao latifúndio assassino, seus sequazes e lambe-botas, que não sapateiem tanto! O castigo vem a cavalo, mas vem. Num mundo e num País tormentosos em que vivemos o castigo pode vir como um raio!”, encerra a LCP.
Leia o comunicado na íntegra abaixo.
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